Coppola tem o mérito de ter descoberto um lugar que ainda não tinha sido preenchido, e esse foi o sucesso de 'Lost in Translation', um filme que não é masterpiece, mas que tem qualquer coisa agradavelmente consensual. E essa coisa chama-se: mostrar a solidão, recorrendo a uma boa estética (bonita e actual) e a lugares-comuns (em Tóquio), e tensão sexual (não concretizada) entre uma loira sexy e um ghostbuster convertido em cinquentão charmoso.
No que diz respeito a 'Somewhere', achei pura desilusão. Sofia Coppola não só utilizou a fórmula de 'Lost in Translation', como explorou o mesmo tema, ainda que não se perceba bem se é um filme é sobre a solidão, o vazio ou o aborrecimento. Inclino-me para o aborrecimento. E se foi esta a imagem a explorar, Coppola também não foi bem sucedida porque o filme não é suficientemente aborrecido. Talvez tivesse sido mais estimulante explorar algo diferente. Imaginem 'Somewhere' assim: agora Murray (que não é Murray, mas sim o Stephen Dorff) está num hotel a beber uns copos, não em Tóquio mas em Los Angeles, em que em vez de ser Scarlett a aparecer para animar, é a filha de 12 anos. E o final, bom, digamos que já vi aquilo numa cena do CSI Las Vegas. O filme seria profundamente tótó não fossem as duas cenas de strip onde Coppola consegue a proeza de transformar uma escorregadela de varão ordinária num bailado divertido e doce.

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