21.2.11

Histórias

No Metro lê-se muito. Hoje veio sentada à minha frente uma senhora que lia avidamente (e com gosto) o 2666 do Bolaño!. Sabem quantas páginas tem o 2666? Para aí umas mil e tal!. Eu acho incrível, nunca pensei que alguém se desse ao trabalho de transportar mil e tal páginas de Bolaño na sua já tão pesada sacola diária, é caso para pensar: ou aquela senhora lê por obrigação ou é halterofilista.
Ao lado da senhora Bolaño vinha sentada uma jovem debruçada sobre uma leitura também intrigante, não pela quantidade de páginas mas pela suposta qualidade das mesmas, foi o que eu pensei quando discretamente consegui ler o título: 'Com quem não casar', do Padre Pat Connor. Ingénua, imaginei que se tratasse de uma ironia ou de um livro escrito por um padre espirituoso, só quando mais tarde googlei por ‘padre pat não casar’ é que se desfez o romantismo e percebi que se tratava de um daqueles livros que, não desfazendo, incita à auto-ajuda e se vende nos ctt.
Ó diabo, isto fez-me pensar. Que viagens poderei eu fazer quando no Metro todas as capas de livros passarem a estar camufladas num tábléte? que alimento terá a pobre transeunte quando se vir incapaz de distinguir a senhora que lê cinco quilos de Bolaño da jovem que procura o homem dos seus sonhos segundo a check list do Padre Pat? Enfim. Isto para dizer uma coisa. Descobri um livro que jamais poderá ser convertido em ibook, chama-se ‘Tree of Codes’ e é um livro-objecto. O talentoso Jonathan Safran Foer pegou no seu livro favorito ‘The Street of Crocodiles’ e após alguns trabalhos manuais fez aquilo que eu gosto de fazer, imaginar uma história a partir de outra história. E o resultado é este.



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