Hoje é um grande dia, por ser Sexta, está claro. É o único dia da semana em que se vislumbra o Oásis.
Também gosto muito da Sexta por causa dos jornais, são mais caros que nos outros dias. Mas o i traz o livrinho do Pessoa (por quem ando perdidamente apaixonada, apesar do homem não ter queda para mulheres) e o público traz o ípsilon.
Já estive a debulhar o Público na hora do almoço e posso dizer-vos que a leitura me deixou por demais inspirada, deve ser por ser Sexta. Alguém ouviu ou leu o discurso do Barack quando recebeu o prémio Nobel? o Público traz excertos mas podem lê-lo na íntegra. Bom, na realidade eu não sei nem me interessa quem foi o real escriba da coisa, só sei que é genialmente concebido para um prémio Nobel da paz. E sim, fala muito de guerra (no jornal i diz que repetiu 44 vezes a palavra) mas faria sentido falar em paz sem falar em guerra? sejamos realistas: " os governos devem reconhecer a dura realidade de que não vamos erradicar os conflitos no nosso tempo de vida. Haverá alturas em que as nações, sozinhas ou em conjunto, vão concluir que o uso da força não é apenas necessário como moralmente justificado". É uma real e pragmática interpretação da natureza humana. Podem ler tudo aqui (se bem que em amaricano perde alguma eloquência, digo eu). E continuando no jornal Público (aviso já que esta posta vai ser alta, como no bacalhau) mais uma coisa extraordinária, na sua crónica, o olho vivo de Cintra Torres contempla o olhar cativo de Fernando Correia ("olhar cativo" na tvi24, rádio clube português), curiosamente num texto nada azedo. O Cintra Torres fala daquele tipo de programas de tv que são também fóruns, em que entrevistadores e convidados ficam "horas" a olhar para o ar enquanto se ouvem os telespectadores a discorrer sobre a vida. Mas este caso é especial, porque envolve o mítico Fernando Correia, que Cintra Torres eleva a estatuto de obra de arte "O programa distingue-se, para mim, pelo dispositivo visual. Confesso: quase não oiço o rico conteúdo do programa, apenas o vejo. É mais fascinante que o filme que Andy Warhol fez de um amigo a dormir por mais de cinco horas". Isto é extraordinário, outro dia apanhei esta pérola na tvi 24, mas só agora li a minha sensação na altura. Muito Bom.
E para terminar esta posta sobre as postas dos outros, a crónica do ex-director, Zé Manel Nando. Não sei se é por ser Sexta, mas adorei as crónicas dos habitualmente odiosos e lascarinos. Agora que o senhor já não tem um editorial à disposição para dar castanhada no Socas fala de coisas bem mais interessantes, em concreto, o fiasco da Cimeira de Copenhaga. Pois é, brincam mesmo com isto. Em Oslo lêem-se discursos pragmáticos e virados para o futuro e noutra parte da escandinávia discutem a melhor forma de ludibriar o mundo.
Que se lixe a economia desenfreada, arranjem outra forma de não destruir o planeta.
É isto.
Mas parece que ainda tinha mais qualquer coisinha para dizer..
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