Desde que me lembro dele (há 19 anos) que o compro religiosamente todos os dias por volta da uma (com umas raras excepções, que me lembre: os dias em que estive fora do país e durante os três dias na maternidade). Almoço com ele. Às vezes é o meu almoço. Conheço-o como conheço a minha casa. Quem me conhece já adivinhou do que estou a falar. O Público.
Só leio este jornal. Também compro o Expresso mas não sei porquê (suponho que seja qualquer coisa freudiana (porque este sempre existiu na casa dos meus pais (ainda hoje há sempre um expresso no carro do meu pai) e até há pouco tempo existiam, numa arrecadação, todas as revistas arrumadas por datas))). Todos os outros, dois ou três imagino que tenham alguma qualidade, não me provocam mais que passar de olhos nas letras com mais de 72pt.
Ao longo da vida fui-lhe conhecendo os cantos. Conheço os comentadores, o zé, os habituées que escrevem ao zé (tipo o sr. magalhães ou isolino de almeida braga)… Fico entusiasmada com as remodelações e contente com os prémios (especialmente os prémios gráficos, é um orgulho ler todos os dias um dos jornais mais bonitos do mundo). Tenho o “Livro de Estilo d’ O Público” e li-o na cama antes de adormecer (não se assustem, também já li os livrinhos da edite estrela e mini-enciclopédias nas mesmas circunstâncias, não é fanatismo).
E tenho um ritual de leitura que não se alterou muito ao longo destes 19 anos. Aliás, só sofreu uma alteração quando mudaram o calvin lá para dentro. Até aí a lógica era a seguinte: 1º calvin, 2º todo o corpo do jornal na mesma sequência em que é paginado, 3º saltar páginas de desporto, 4º palavras cruzadas. Actualmente: 1º todo o corpo do jornal saltando o desporto e a senhora xis quando existe, 2º calvin, 3º palavras cruzadas e afins.
Enfim, todos sabem que sou dada a vícios. Este talvez seja o mais enraizado (acho que até mais do que os meus sg’s…) e descobri esta semana como fui apanhada por este jornal: foram as palavras cruzadas.
Foi O Público que me ensinou a o que era uma medida itinerária chinesa e que aru é um sapo do amazonas (e uma série de outras coisas importantíssimas). Iniciou-me nos sudokus e mais tarde nos kakuros. Durante tempo suficiente para se tornar um hábito, fiz todos os dias e sempre na mesma ordem, as palavras cruzadas com quandradinhos, depois as sem quadradinhos, a seguir o sudoku fácil e a seguir o médio, e depois o kakuro. Normalmente fica tudo preenchido, nos dias em que falta alguma letra ou um número, guardo o o jornal até ao outro dia para ver se era problema meu ou uma dificuldadezinha acrescida. Nunca vejo as soluções. Para uma profissional do cruzadex como eu, claro que o que me interessa são as palavras sem quadradinhos e o kakuro.
Vou acabar por aqui pois descobri que tinha assunto para 200 páginas.
E NÃO É QUE OS GAJOS TIRARAM AS CRUZADAS SEM QUADRADOS E O KAKURO!!!
E AGORA?
1 comentário:
Ó senhora, é, mesmo, uma machadada no coração! e fez-te escrever tanto, essa infelicidade ...
Não pode ficar assim, sou solidária, escreve ao Zé Nando! faremos um manifesto!!!!!
beijinhos e miminhos
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