Adolescência
Na alma das raparigas – mal tecem o fio dourado da adolescência – ouve-se um toque a matinas, cujos sons prata e cristal as desperta para a vida, numa ansiedade incompreendida e estranha, num súbito alvoroço de conquista … Já as nossas mães e avós – doces meninas de almas infinitamente delicadas – sentiram as mesmas ansiedades e se submeteram ao mesmo psíquico domínio …
A rapariga de hoje faz desporto, entra em competições internacionais, tornando-se um belo exemplo humano e social.
Sinal de Alarme
A rapariga que o escuta deve ficar alerta, arrecadando de si qualquer sombra de emoção. A piedade dum coração feminino, é um sentimento belo, mas há que verificar se as pessoas merecem a nossa piedade e interesse. Uma rapariga sensata, ouvindo-lhe os galanteios, deve antes julgá-lo um «caçador furtivo», e como tal, desprezá-lo. É bom que tenha sempre presente estes preciosos conselhos: não dar bom acolhimento, ou demonstrar simpatia exagerada, a um homem que não se conheça o viver, e, muito menos prometer amizade àquele que lhe conta uma história sempre repetida e quase sempre falsa. Se as raparigas assim procederem, nunca terão de lamentar-se amargamente.
Futura Dona de Casa
A vida está cheia do vicio das competições! Se o vizinho ou o amigo, compraram um automóvel, logo surge a ansiada competição! E lá porque a vizinha ou a amiga apareceram com um casaco de peles, surge imediatamente – seja porque processo for – o desejo de um igual. Quando, do marido parte a mania das grandezas e a sua leviandade transtorna os planos económicos, à mulher compete pôr um dique à sua fantasia e insensatez, não consentindo que o lar afunde em gastos supérfluos e excessivos.
Se o marido, ao entrar em casa, encontra o desarranjo por todos os lados; se a mulher, a meio do mês, já lhe participa que não tem dinheiro; se os pratos que lhe serve ou estão salgados, ou insossos ou queimados; se, todos os dias repete as mesmas ementas; se abre uma gaveta ou um armário e encontra tudo em desordem e desalinho; se quer pôr uma camisa e não a tem; se as toalhas da casa de banho, se encontram pouco limpas e encharcadas, etc., etc., - o marido terá razões de sobra para se aborrecer.
As Visitas
Aquelas antigas visitas protocolares, acabaram, por graça de Deus …
Não eram visitas de amizade, de coração: eram deveres sociais, impostos pelo protocolo mundano. As damas sentavam-se, hirtas, nas bordas dos sofás, mal podendo respirar sob o flagelo dos espartilhos cruéis e os homens cruzavam as mãos pálidas sobre o castão de prata das bengalas … Citava-se a última peça do D. Maria, aludia-se à companhia de ópera do S. Carlos, abordava-se, vagamente, qualquer escandalozinho saboroso … e nada mais. Tudo, porém, era rígido, frio, cerimonioso.
O Lenço
Uma senhora ou rapariga, verdadeiramente educada, evita espirrar com violência, podendo até aprender, a suprimir e sufocar os espirros.
Dores de Garganta
Mal a garganta começa a doer, deve logo gargarejar-se com água oxigenada (uma colher, das de sopa, num copo de água quente). Pastilhas de clorato de potassa, para chupar ( 8 a 10, por dia).
As amígdalas e a garganta devem pincelar-se com azul de metilene.
Ser Simples
Serão banidos todos os pratos que à última hora requeiram permanência da dona de casa na cozinha. Isso deixaria os convivas contrafeitos, pesarosos por serem a causa de tal contrariedade. Nada de ovos escalfados, soufflés ou preparações complicadas. Deve estar o mais tempo possível junto das pessoas que vieram visitá-la.
Mantendo-se uma conversação agradável e até brilhante, animada com episódios engraçados, o auto-serviço passará quase despercebido e os convivas sentir-se-ão à vontade.
Simplicidade nas Palavras
É um dom raro, o ser-se simples, despretensiosa, desafectada. Contudo, pelo esforço da vontade, consegue-se a simplicidade de gestos e palavras. É preciso combater um defeito grave: o hábito que muitas raparigas têm de dizer mal de si próprias. É frequente ouvirmos dizer a uma rapariga adolescente, que tem fraca memória, que não dá nada a matemática, que é uma negação para as línguas.
A Precipitação é um defeito
Comer à pressa tem um efeito deplorável sobre o organismo. Diante do Espelho, sejamos igualmente serenas, para evitar uma preparação mal feita. Sair-se com as faces muito empoadas, ou o recorte da boca torto, é detestável.
Ovos com Fiambre
Coza os ovos e descasque-os, corte-lhes uma das extremidades e tire-lhes as gemas com muito cuidado para as não escangalhar e encha-os com fiambre picado.
Numa caçarola deite uma colher de manteiga, outra de farinha, um pouco de leite, queijo ralado e pimenta. Misture tudo muito bem e leve ao lume a engrossar.
Coloque os ovos numa travessa com a parte cortada para baixo, de maneira que fiquem em pé. Cubra-os com o molho e polvilhe-os com as gemas cozidas, muito picadinhas.
Sonhos Pobrezinhos
Desfaça seis colheres de farinha numa pinguinha de água, junte-lhe raspa de uma laranja e metade do sumo, e umas pedrinhas de sal, uma gema de ovo e clara batida em castelo e uma colherzinha de fermento.
Ponha num tachinho bastante azeite e deite colheres desta massa para dentro, deixe-os bem lourinhos, escorrendo-lhe o azeite e ainda bem quentes, envolva-os em açúcar e canela.
Bocadinhos do livro Noiva, Esposa e Mãe, Laura Santos. Moral, Etiqueta, Preceitos Domésticos, Enfermagem, Puericultura e Culinária Prática - Editora Lavores, 1974
Estou fascinada com este hit literário dos setenta, vale a pena ler o livro, aliás, o ideal até seria recitá-lo num serão de convívio entre amigos, entre o comentário sobre a última peça do D. Maria e início do Ídolos.
etc., etc.

7 comentários:
No fim de semana vou-me dedicar a isto! :) Merece atenção. Xizinhos queridinha. Maxi. :)
Esta Laura é um prato! (de loiça limoges)se quiseres podemos fazer um pic nic no parque e eu, por meio da simplicidade das palavras recitarei para ti :)))
Beijocas, querida
Então não quero?! E é aproveitar enquanto está solinho! :)
4ªF / 5ªF / 6ªF?
bjinhos
Bamos lá!!!
E dia pá? E o povo pá? :)
Ó riquinha,sabeis que sou muito cóutelósa e entãue marqueie o dia por émeil! num benha aqui óblog um persaguidoure e nos apanhe a ler a Lórinha e a comâire ómelétas no párque! Ora bai lá ber.
:) e fui! E fui! Boné voiage. ó menina os persaguidoures temem-nos. Percebem que somos ainda mais alucinées que eles... :) bjufias
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