14.6.10

O Coro

Faz-me alguma confusão o alheamento total da parafernália mundana, apesar de eu não gostar de chinfrim em demasia. Não consigo estar a trabalhar, ou na rua, com os headphones a taparem totalmente os barulhos da vidinha, dá-me a sensação que estou a perder alguma coisa. E estou. Por isso mantenho sempre o volume num tom que dê para ficar com um ouvido no burro e outro no cigano. Depois há a questão do perigo de vida, abusar dos headphones, em termos urbanos, é arriscar bué. Não vou aprofundar a questão, até porque é um bocadinho sinistra, mas fiquei preocupada quando há tempos li uma entrevista realizada ao médico legista Pinto da Costa - o nosso CSI, e ele se queixava do elevado número de clientes que lhe aparecem "com headphones".

Este problema põe-se com a famosa vuvuzela. Imaginem que os todos os adeptos, passados com o barulho da corneta africana, decidiam ir para o estádio de headphones (dos bons). Apesar de interessante, perder-se-ia alguma emoção. Coisa que certamente não acontece num estádio a vuvuzelar intensamente, uma vez que com a compra do bilhete são também garantidos sentimentos altamente raivosos à maioria dos adeptos e jogadores.
A propósito disto lembro-me das curtas-metragens do senhor Kiarostami. Se tiverem paciência reparem nelas. São simples e hilariantes, e têm a ver com o que ganhamos e perdemos quando tiramos o som ao mundo.




2 comentários:

Andreia Azevedo Moreira disse...

Cabrões dos que me tiraram o youtube. Só poderei ver em casa... eheheheh :)

Van disse...

Carago! que feze tão grande.