“Shirin”, um filme sobre a expressão da mulher na sociedade islâmica, do cineasta iraniano Abbas Kiarostami – que já por aqui tenho falado, por gostar muito – estreou ontem nas salas nacionais.
O conceito do filme, que ainda não vi mas tenho a certeza vir a deliciar-me, é interessante. Espectadores de cinema assistem a outros espectadores de cinema. Em “Shirin” a câmara aponta exclusivamente na direcção dos espectadores de uma sala de cinema, e privilegia o olhar de 114 mulheres que supostamente assistem a uma representação de um poema persa do séc. XII, “A História de Khosrow e Shirin”. Segundo diz o crítico do público, que ao que tudo indica viu o filme “olhamos para elas sem saber o que é reacção e o que é representação, e o que é espontâneo e o que é encenação. Razão para suspeitar, ou mais do que isso, para afirmar que “Shirin” é a mais sofisticada “mise-en-scêne” do olhar que alguma vez alguém fez. Seguramente, a mais bela”

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