17.5.10

Por falar em Museus

Outro dia fui ao CCB e aconteceu-me o seguinte.
Sentei-me com o meu filho numa sala escura onde passava um vídeo que fazia parte da exposição “Body Without Limits” da Judith Barry. O vídeo era projectado numa tela que ocupava toda a parede do fundo da sala e tratava-se da história de um escritor que estava num quarto e não se conseguia concentrar na escrita porque ouvia uns barulhos estranhos que vinham através da parede. O escritor abria consecutivamente a porta do quarto, espreitava para o corredor e não via a razão do barulho do outro lado. Já bastante apoquentado, afastou uma estante de livros para o chão e pegou num taco de golfe. Nessa altura disse baixinho ao meu filho, ai, que ele vai dar cabo da parede. E assim foi, o rapaz começou a esburacar o estuque. Quando o buraco já estava com um tamanho jeitoso, irrompe um homem (verdadeiro) pela tela. Eu apanhei um grande susto. Mas o meu filho, nem se mexeu. Achou normal.


A instalação chama-se ‘Voice off’ e consiste numa tela com dupla projecção. De um lado o vídeo do escritor que não se consegue concentrar e do outro o de uma cantora de ópera que perde a voz. Existe uma subtil abertura na tela que liga ambas as salas onde passam as projecções em simultâneo. E naquele dia tivemos sorte, um visitante (o tal homem verdadeiro) atravessou para a outra sala no momento perfeito.

A senhora Barry, nesta exposição ‘Body without Limits’, tinha outros vídeos igualmente interessantes. Um deles muito engraçado a propósito dos museus serem locais de intimidade efémera. Se prestarmos atenção, percebemos que os museus são paragens de experimentação, onde exercitamos a nossa percepção. Vai daí florescem as sensações e os sentimentos.
Aliás, quem nunca ficou arrebatado com os azuis de um Monet e se encostou no ombro do Japonês ao lado que atire a primeira pedra.

Eu adoro museus.

2 comentários:

M. disse...

Nunca me encostei a nenhum Japonês mas vou ficar de olho. Têm pinta de ter um ombro confortável. :)
(Eu também gosto muito de Museus, sobretudo dos sensuais :D)

Van disse...

Bom, quem diz japonês, diz chinês :)) Mas nunca norueguês, que a questão do ombro já é mais difícil de concretizar :D