28.1.10

Rir

Adorava ter aquela gargalhada sonora e contagiante, invejo esse tipo de riso pois quer seja o gesto alegre ou irónico faz-se sempre anunciar, é pomposo, e grande. Mas nosso senhor deu-me um riso beato, algo tímido e muito próximo de um ataque de falta de ar. Não é agradável de ver, em especial quando a vontade de rir é estonteante e eu me vejo obrigada a completar a “gargalhada” com um ronco suíno. Não fosse eu uma pessoa altamente sensual estava feita.

Tenho também outra fraqueza em relação ao riso, sou aquele tipo de pessoa que nunca se aguenta, principalmente em situações em que é suposto suster os músculos faciais e dar ideia de compostura, digamos que por si, esse dever, essa incumbência respeitosa, é suficiente para eu ter ataques de falta de ar. Por isso não me dou bem em eventos solenes e especialmente em cerimónias fúnebres, porque acho o pranto muito cómico.
É sempre preferível conseguir soltar a tal gargalhada em vez de ficar com um ataque dispneico de esgares, a rebolar mentalmente na graça, e passar por imbecil.

O que seria de mim numa classe de yoga do riso?
Morria.