Há uma razão especial para eu ler a revista tabu (apêndice do jornal Sol), a crónica semanal do senhor director do jornal, José António Saraiva, é sempre hilariante e parece vinda de um correspondente da Idade Média. Na edição deste Sábado a crónica chama-se "O Senhor ministro", e é a propósito de Jorge Lacão, ministro dos Assuntos Parlamentares, que pelos vistos causa um certo prurido ao director Saraiva. Ao que conta, conheceu o ministro quando foi a casa de Mário Soares para o entrevistar, em 1981, e quem lhe abriu a porta foi Jorge Lacão. Então, aproveitando esse episódio, ao longo do texto, José António Saraiva compara Lacão a um 'impedido', e ele explica "Na tropa, os oficiais a partir de certa patente tinham direito a ter 'impedidos', isto é, soldados que lhe estavam atribuídos e funcionavam como uma espécie de criados." E depois, este senhor-jornalista-director-arquitecto(?!)-com-uma-visão-sobejamente-ilimitada,-desimpedida,-sobre a vida, justifica-se assim: "não posso deixar de sublinhar que muitas pessoas chegam hoje a ministros sem qualquer experiência de vida, tendo sido sempre funcionários partidários, não tendo ligação à vida real, não passando por empresas, não dispondo de uma versão alargada da sociedade, limitando a sua perspectiva às quatro paredes do partido onde militam.".
Bom, eu já tinha ficado fã deste senhor quando li uma crónica a propósito do seu olhar, a sua perspectiva sobre a juventude que usa a calça pelo rego do rabo (também metia mulheres que não usam calças de ganga com o tipo de gancho adequado, e ele se via obrigado a ver-lhes o rego, coisa que o enojava, e cenas assim) mas com este texto ainda fiquei mais fã, porque gostei mais da metáfora da criadage, que é muito interessante no caso em apreço, veja-se este excerto (pérola) da crónica:
"Esta entrevista com Mário Soares foi muito curiosa e deu para o conhecer melhor. A certa altura ele começou a falar disto e daquilo, de coisas que não lhe tinha perguntado e interrompi-o.
- Senhor doutor, desculpe, mas sou eu o entrevistador ....
- Ó Saraiva, eu sei, mas deixe-me vender o meu peixe!
Outra coisa que me impressionou foi o excesso de informalidade da empregada, sobretudo tendo em conta a presença de um estranho. A certa altura, Soares pediu-lhe para fazer outro café, porque aqueles que nos trouxeram tinham arrefecido. A empregada veio com modos enfastiados, pegou nas chávenas e enquanto se afastava foi dizendo:
Sem comentários:
Enviar um comentário