16.12.09

O Natal dos Parolos

Outro dia, estava eu naquele momento doméstico de fim de tarde em que me sinto Filipa Vancondeus, com a casa arrumada e tranquila, o miúdo a brincar no quarto e eu cozinhar folhadinhos de marmedada e cremes de vegetais aveludados quando ligo a televisão, fisgada no absoluto êxtase, e dou conta que um contra-tempo na programação tinha acabado de arruinar o meu imaginário. Em vez da novela ‘Paraíso’ estava a dar um programa de natal apresentado pela Bárbara Guimarães, com o Tony Carreira a cantar e uma cambada de morcelada a dançar. Aquilo até dava dó, mães, na maioria espécimes anafados, bailavam com crias fêmeas penduradas do colo, assim de ladecos, e saltitavam as banhas e os borbotos em jeito de baile de aldeia, insinuando com o seu olhar embevecido, ora para as crias ou para Tony, o deslumbre pelo parolo. Estava capaz de vomitar. Só não o fiz porque mudei de canal quando as beiças da Bárbara Guimarães se contorceram para apresentar a Claudisabel.
Eu preferia o Natal dos Hospitais. Ao menos aquela gente não bailava. Ou se o fazia, era uma espécie de dança de varão com o tubo do soro ou um bambolear de ancas por cima da maca.
E em vez da Bárbara havia o Eládio e a Serenela.
Digamos que há parolada boa e parolada má.

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