#1
Há uns 60 anos atrás e um ano antes do seu casamento, a minha avó encomendou uns lençois às bordadeiras de Nisa para a sua noite de núpcias. Há uns tempos que estão comigo. Já estiveram provisoriamente a fazer de cortinados e hoje estão arrumados à espera que lhe dê um destino simpático enquanto não vão parar a outra “casa”. Estes lençois são uma peça e tanto. Tenho uma verdadeira admiração por este objecto. Tanta que considero não serem meus. É como aqueles relógios: “Nunca somos verdadeiramente donos de um Patek Philippe. Apenas cuidamos dele para a geração seguinte”. Hoje já não se fazem. Quer dizer, devem fazer porque ainda há quem saiba. Quem os compre é que não há, imagino que os abramovichs não estejam muito interessados em bordados de Nisa. Em suma, embora os ditos sejam realmente bonitos a admiração existe não em relação ao que eles são mas ao que representam: o tempo.
#2
Há uns anos atrás, leia-se antes da massificação da internet* e tudo o que nós já sabemos, um trabalho que hoje se faz em 3 dias na minha empresa (prestação de serviços, design) com 2 intervenientes internos e 1 externo, demorava aproximadamente 3 semanas e pelo menos 5 intervenientes no processo. Embora uma pessoa com este tipo de profissão num espaço de 20 anos tenha aumentado a sua produtividade pelo menos 7 vezes continua a ter sensivelmente o mesmo salário. Às vezes dou comigo a pensar em que parte da teia económica está o bug. Obviamente que a “rapidez” foi criada pelos meios tecnológicos existentes e que estes têm custos. Custos estes insignificantes quando estamos a falar deste aumento de produtividade. Dou comigo muitas vezes a pensar no tempo.
Gostaria de continuar com #3, #4 etc. mas não tenho tempo.
Isto tudo para lembrar: Experimenta Design “It’s about time”
* A segunda melhor coisa que me aconteceu. (só não é a primeira porque existe o lugar comum do costume).
1 comentário:
Gostei imenso deste texto, da tua visão simples sobre a importância do tempo.
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