29.9.09

O jantar I

Tenho uma amiga minha, vou chamar-lhe Alcina aqui por uma questão de protecção de identidade, que vive na Rua do Possolo. A marquise dela junta à marquise da casa de família do nosso casal presidencial, Aníbal e Maria. Como todos sabemos, este problema das marquises é bem conhecido e quando elas são implantadas em varandas contíguas, o que separa uma casa da outra é um vidrinho. Mais ou menos bom conforme a empresa de caixilharia recrutada. Este que falamos, é um vidrinho dos anos setenta, nada de duplos.
Há uns tempos esta minha amiga que sente falta dos seus vizinhos (vive sozinha e estava habituada a pedir os coentros à Maria que os tinha sempre frescos) estava na sua marquise e ouviu a Maria lá em casa. Quando se preparava para ir dar-lhe uma palavrinha e falar de quanto sentia falta dos coentros, o telemóvel da senhora toca, atende, muda para alta voz (porque estava a arrastar caixotes) e a minha amiga fica à espera que o telefonema acabe. Para não incomodar. Enquanto isto, foi ouvindo a conversa. Mais tarde conta-me o que ouviu que eu passo aqui a descrever pelas suas palavras.

Tô, Maria?
Sim, és tu Manela? Não tenho este número, de onde estás a telefonar?
Ah, é da minha empregada. É assunto importante. Não queria que se soubesse que te tinha ligado.
Ah sim, diz lá.
Olha, preciso de falar com o teu marido. Só ele é que me pode safar desta. Mas se me encontro com ele, agora com as eleições, isto vai dar chatisses. Não arranjas um jantarinho para falármos? Eu até vos convidava mas tenho tudo quanto são jornais à porta de casa e da outra também. Até a minha filha tem jornalistas na rua da escola das miúdas...
Tá bem, claro. Jantamos aqui no Possolo que ninguém sabe que tenho cá os tachos. O polícia que está lá em baixo ai... é melhor não dizer mais nada, depois explico. Pode ser lá para Quinta-Feira?
Quinta não posso que tenho que ir para o norte. Comícios, enfim, não pode ser sexta? Estou em Lisboa por volta das cinco.
Tá combinado. Aparece lá para as sete.
Fazes carapauzinhos fritos?

A minha amiga contou-me esta história e fiquei curiosa. Resolvemos jantar na casa dela no dia combinado para saber mais promenores.
Perguntei à Alcina o que é que ela ia dizer do polícia cá em baixo. É um senhor muito simpático que me diz sempre "a dona alcina acaba de subir" quando vou a casa da minha amiga. A Alcina disse-me que o senhor não era polícia. Estava disfarçado mas na realidade era um sobrinho de uma prima da Maria que era um cromo das tecnologias... "assim uma espécie de hacker de componentes electrónicos ou assim, ele nunca me explicou exactamente o que fazia ali e porque estava vestido de polícia mas é muito simpático.", disse-me ela.

Tenho que dividir esta história em duas porque para post é muito grande.

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