Foi mais ou menos isso que aconteceu ontem.
E o efeito era, aliás, muito previsível. Ora vejamos.
O PS ganhou as eleições. Ponto.
Perdeu votos, deputados, maioria absoluta, mas foi o mais votado. O povo quis que José Sócrates continuasse como primeiro-ministro, mesmo com a dúvida se ele é ou não um verdadeiro engenheiro. Muito Porreiro, pá!
O PS cometeu erros mas esteve bem em certas áreas, os quatro anos de governação de José Sócrates foram um passo em frente relativamente ao histórico governativo recente. Os eleitores reconhecem no PS a perspectiva reformista do progresso, no entanto retiram a maioria absoluta ao PS e obrigam o seu líder a fazer acordos quer à esquerda, quer à direita. Parece-me muito sensato.
Se este idílio governativo resultasse, o país sairia mais forte. Neste ponto concordo com Paulo Portas, é necessário iniciar uma política de negociação como na maioria dos países da Europa. Não podemos viver, democracias após democracias recentes, agarrados às saias da maioria absoluta. Até porque os eleitores expressaram essa vontade de forma inequívoca, veja-se o resultado histórico do CDS e a subida do BE. É necessário que o PS consiga alinhar quer à esquerda, quer à direita, sem falsos pruridos ideológicos. Se Sócrates seguir o seu faro liberal, e se dentro do PS não lhe complicarem muito a vida, é o homem certo para conseguir articular-se com ambas, esquerda e direita. Esta é a minha vontade pragmática mas, quiçá utópica (dava-me tanto jeito ser governada).
O grande derrotado da noite foi o PSD. Fez tudo errado e os resultados estão à vista, apenas conseguiu segurar o seu eleitorado residual. O PSD precisa de se reencontrar e resolver definitivamente a questão da intrigalhada e da liderança. Luís Filipe Menezes, tal qual bom abutre, prepara-se para dar conta de MFL, prevê-se o costume e a certeza de que o PSD não constituí alternativa para parceria governativa. Vão rolar muitas cabeças até que, um dia, Paulo Rangel assuma a direcção do partido - arriscando algum futurismo, nessa mesma altura já o bloco de esquerda terá esquecido a sua origem revolucionária e se terá transformado num partido burguês social democrata.
Nada me surpreendeu, tirando a abstenção. Também eu vi a onda gigante. Filas de gente na oitava e nona secção da minha freguesia de São João de Brito, nunca tinha visto tanta gente (deviam ser os novos eleitores). Afinal foi mais um caso de alucinação conjunta, a abstenção, seja ela real ou oficial, acabou por esmagar o Portugal dos Pequenitos.
P.S. - Sócras, põe lá o Portas a tratar da agricultura, vá, vamos lá então ver como é que é!
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