3.8.09

L'après plage


A praia tem estado a sair de moda. M. Luis Goucha, apesar de ostentar uma pele morena permanente, diz que não gosta de praia, preferindo um alpendre com uma latada ao chapéu de palha de imitação, o intermitente murmúrio do vento ao grave pregão do homem dos gelados, o zumbido dos insectos ao rap das motos-de-água. Como sempre, a vanguarda das modas é ditada pela elite. A praia transformou-se num arraial, seja com summer sessions ou garrafões de tinto. E agora, que parece que afinal os seres humanos não foram feitos para apanhar sol, das duas, uma: ou voltam os fatos de banho à antiga (aqueles de riscas) ou a praia vai se tornar um evento nocturno (ou do lusco-fusco).

Quem não tem da praia boa memória
Desde essa infância gorda de glória
Apenas uma irada melancolia aparecia
Na espera do banho depois da melancia

Depois o adolescente destrona a criança
Tempo de exercício do músculo na areia
Um dia, porém, dita a cruel balança
Vá, deixa lá, e procura outra sereia


Gosta-se mais do tempo depois: o banho dessalinalizador; a roupa leve e a cerveja fresca na espera, já lá fora, do apronto do mulherio. Os fumos da grelha, a recheada sapateira, as muralhas de Monção e se há frio, camisolas de algodão...

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