Quando o meu filho nasceu irritei-me, muito, mesmo muito. Não com o pobre, coitado. À volta dele. Com a avó que lavava babygrows desvairadamente, com a tia babada para cima do menino, com o colégio de pediatria e as primas e as amigas que já tinham experimentado isto e aquilo. E as cólicas. E o catano. Dói dói, trim trim. Estava insegura. Desmemoriada. Em reboliço hormonal. E com um filho recém-nascido a topar o desacerto.
Isto era dantes. Agora canto de galo (nunca de galinha).
Não podemos eternizar a insegurança, não é bom. O que eu vejo à minha volta é uma tremenda insegurança com a tarefa da paternidade. Que raio! De onde aparecem tantas teorias? Como é que esse enleio técnico-miudinho pode ser tão desconcertante para os “novos pais”?!
A minha mãe, que é a avó que de vez em quando me irrita, porque só quer agradar ao menino meu-filho de forma que não vem nos manuais, faz o papel dela, mas nunca se evitou comigo. Deixava-me em casa dos meus avós para ir trabalhar, ou dar as suas escapadelas, tinha a distinta lata de me levar para jantaradas em casa de amigos - onde eu aprendi a dormir debaixo das mesas, deu-me morangos (e mioleira) antes dos dois anos, descontrolou-se, gritou, ficou muito vermelha, deu-me uns tabefes quando foi preciso, ou nem tanto. Os meus pais sujeitaram-me à sua vida sem sentimentos de culpa. Com protecção e amor. Dá-me ideia que as crianças, as de ontem, as de hoje, provavelmente as de amanhã, precisam de tudo, pois da diversidade, dos diferentes laços é que vão criar as suas referências, as suas defesas. Ser mãe galinha não é ter o filho constantemente resguardado do mundo, debaixo da asa. Essa visão é descabida, egoísta e muito pouco protectora. Haja bom-senso, ter filhos não pode ser um acto penoso (a não ser no parto), não faz sentido. O desejável é respeitarem-se as individualidades. E garantir protecção aos petizes.
E viver, viver!
Isto era dantes. Agora canto de galo (nunca de galinha).
Não podemos eternizar a insegurança, não é bom. O que eu vejo à minha volta é uma tremenda insegurança com a tarefa da paternidade. Que raio! De onde aparecem tantas teorias? Como é que esse enleio técnico-miudinho pode ser tão desconcertante para os “novos pais”?!
A minha mãe, que é a avó que de vez em quando me irrita, porque só quer agradar ao menino meu-filho de forma que não vem nos manuais, faz o papel dela, mas nunca se evitou comigo. Deixava-me em casa dos meus avós para ir trabalhar, ou dar as suas escapadelas, tinha a distinta lata de me levar para jantaradas em casa de amigos - onde eu aprendi a dormir debaixo das mesas, deu-me morangos (e mioleira) antes dos dois anos, descontrolou-se, gritou, ficou muito vermelha, deu-me uns tabefes quando foi preciso, ou nem tanto. Os meus pais sujeitaram-me à sua vida sem sentimentos de culpa. Com protecção e amor. Dá-me ideia que as crianças, as de ontem, as de hoje, provavelmente as de amanhã, precisam de tudo, pois da diversidade, dos diferentes laços é que vão criar as suas referências, as suas defesas. Ser mãe galinha não é ter o filho constantemente resguardado do mundo, debaixo da asa. Essa visão é descabida, egoísta e muito pouco protectora. Haja bom-senso, ter filhos não pode ser um acto penoso (a não ser no parto), não faz sentido. O desejável é respeitarem-se as individualidades. E garantir protecção aos petizes.
E viver, viver!
13 comentários:
Ops! Já dei morangos ao pequeno e ele ainda não fez dois anitos!
eu dei antes do ano, e acho que comi mioleira por volta dos 4 meses, acompanhada de óleo de fígado de bacalhau (não aromatizado com banana). Um verdadeiro pitéu! ;)
uma adenda, não podem, mas mesmo que pudessem, não era aconselhável administrar mioleira a pessoas - da promiscuidade da cadeia alimentar é que surgem algumas demências! era apenas um exemplo extremo :)
Oléo de figado de bacalhau também esteve no meu menu mas já em formato de capsulas transparentes. E também tomei um remédio para as "bichas" (pelo menos era assim que os meus pais chamavam-nas no seu crioulo atlântico)
remédio para as bichas?
humm...
"Pais imperfeitos são aqueles que, pretenciosamente, acham que podem ser perfeitos."
nem mais :)
És uma minha referência neste campo. Vai falando! Vai falando que eu vou ouvindo e anotanto. (E ficando cada vez mais apaziguada.)
"Haja bom-senso, ter filhos não pode ser um acto penoso (a não ser no parto), não faz sentido. O desejável é respeitarem-se as individualidades. E garantir protecção aos petizes.
E viver, viver!" Está aqui tudo o que preciso de saber. Digo eu.
referência é muita responsabilidade, pessoa de bitaites tem mais a ver :)
Vem girino a caminho??
beijinhos
pais imperfeitos tive eu!! e já em idade de ser 'pai' ressinto-me desse assunto...o grave é que nao sei como serão os pais perfeitos, só sei que os miúdos não podem crescer como às ervas (frase do meu pai) e também não podem ser telecomandados como se fossem uma tv (frase da minha mãe).... devem talvez ser regados de vez em quando e faz-se umas conversas para perceberem que gostam deles e já esta, crescem lindos e viçosos (frase minha)
bjs e parabéns aos pais que simplesmente têm filhos com sentido de humor, aí se vê se as crianças têm bons pais. Maí nada! (a mim às vezes falta-me esse sentido de humor...)
também queres ir beber um gin tónico mai logo, minha loira-imperfeita-sempre-cheia-de-sentido-de-humor?
Bitaites sejam, mas bitaites sábios na minha maneira de ver a vida. Que eu saiba não vem mas há-de vir (digo eu) e então tenho de perder o medo que é para não me dar uma crise de pânico quando tiver o individuozinho pequenino e fofo e indefeso e dependente (valha-me Deus) nas mãos... É isto. Beijinhos Van.
LOL, uma crise de pânico é engraçado. Imagina, aliás acontece muitas vezes, a mãe olha para a criatura recém-nascida e começa a gritar de medo, a criatura olha para a mãe e grita, assim sucessivamente ... até cairem para o lado e dormirem.
Assim que um abrir os olhos der de caras com o outro, grita e começa tudo de novo :)))
beijinhos, boas férias
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