A pedido de muitas famílias aqui vai a minha história com o vigor fresquinho.
Todos os dias úteis vou ao café à hora de almoço ler o jornal e aproveito para comer qualquercoisinha. O lanchinho é sempre constituido pelas mesmas peças (uma das quais um vigor fresco). Trabalho por aqui há tempo suficiente para os senhores do café saberem qual é o menu quando me vêem aparecer. Portanto, logo que me vislumbram, ainda ao longe, começam logo a preparar a cena.
(Este é daqueles cafés tipo pastelaria de fabrico próprio muito feio mas onde os empregados sabem fazer contas de cabeça (embora tenham daquelas máquinas EUREST touchscreen) e decoram os gostos dos clientes).
Acontece que o referido café tem assim formato de corredor com um balcão ao comprido com duas portas em cada extremo. Uma dá para um lado do prédio e a outra para o outro onde há uma praceta. Por vezes venho do lado da rua e o percurso mais curto para ir para a praceta (onde compro o jornal antes) é entrar dentro do café e sair pela porta das "traseiras", chamemos-lhe assim. Evito este percurso porque as duas vezes que o fiz logo se ouve "É um vigor fresquinho!", alto, do senhor augusto a pedir o vigor que está fresquinho na ponta oposta do balcão ao colega que trata desse lado. Ao que eu respondo "vá fazendo, vá fazendo, que eu vou só ali buscar o jornal e já venho", baixinho. Também já me aconteceu ir lá logo de manhã beber um café (que não é hábito) e perguntarem-me se é um vigor fresquinho.
Houve um dia que o senhor augusto estava lá do lado dos vigores fresquinhos e estava com dificuldade em passar o vigor para este lado onde eu estava. E estava a tentar atirar o vigor pelo ar a um colega que estivesse deste lado mas ninguém reparava nele. Como eu reparei, acenei com a mão e disse por mimica para atirar que eu apanhava. Ele perguntou-me por mimica se tinha a certeza que apanhava. Eu disse que sim. E lá veio o vigor fresquinho a voar até à minha mão de uma ponta do balcão à outra (ainda é qualquer coisa) a passar à frente dos restantes muitos clientes. Gostei muito. Especialmente da confiança depositada na minha capacidade apanhadora. Depois disso, repetimos o número do dia seguinte mas nunca mais, não tem havido necessidade.
Depois disto comecei a pensar que era mesmo melhor não passar pelo café para ir à praceta. E se eu fosse distraída para comprar o jornal e aparecesse um vigor fresquinho a voar?
1 comentário:
Alii, estava eu a esboçar um sorriso rasgado com este teu texto do vigor fresquinho quando sou surpreendida por um senhor extremamente parecido com aquele senhor Sarsfield Cabral. Assustei-me para dédéu. Afinal era só um senhor recém-aposentado que esperava um beijo meu de despedida, pena que eu nunca o conheci. Mas faz parte, é normal fazerem a ronda e há até quem vá a esses almoços de despedida sem conhecer o "jovem aposentado".
Que linda! escreveste essa experiência memorável que é ires a passar na rua e despoletares a cena da estafeta dos empregados de café.... mais lindo é tu seres uma pessoa prevenida e agora teres cuidado para não seres arremessada por um vigor fresquinho. É de vidro, a garrafa, tão a ver?!
(hilariante)
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