19.6.09

O drama do parque infantil

Tenho horror a parques infantis. O que é chato quando se é mãe de um infantil que gosta de parques.
Curiosamente, adoro andar de baloiço, de escorrega e daquelas cenas de trepar por cordas como na tropa. Pois. É por isso que tenho horror a parques infantis. Não me deixam utilizá-los. (O que acho um absurdo visto que sou mais baixa e mais leve de que a maior parte das crianças de 12 anos).
Outra coisa que me dá cabo da cabeça é o espectáculo dos 30 humanos adultos dentro do parque a olhar para as suas crias durante horas (tenho para mim que fazem aquilo como uma espécie de penitência, tipo ir a fátima a pé, para amenizarem as suas culpas egoístas de pais XXI sem tempo). Às vezes sou um desses 30. O que me dá uma certa depressãozinha para o resto do dia.
Resolvi, assim, fazer a petição para entregar aos presidentes das juntas e que espero ser assinada por pessoas inteligentes com profissões de classe (agradece-se arquitectos, editores, figuras públicas e semi-públicas, designers, Professores Doutores; se por acaso for padeiro, p.f., assine mas omita a profissão).
Aqui fica a minuta para vossa análise. Sintam-se à vontade para fazer sugestões ao conteúdo.

Exmo. Sr. Presidente da Junta de (…)
Como deve ser do conhecimento de V. Exa., os parques infantis de Lisboa são uma fonte de problemas e chapadas para a maioria das famílias residentes nesta cidade. Todavia, acreditamos que, com outras regras de utilização, seriam um equipamento louvável. Agradecíamos que a juntar às regras que já estão previstas para o local, se acrescentasse o seguinte:
1) Todos os parques infantis são obrigados a ter uma esplanada com suporte de cafetaria com capacidade para mais de 60 pessoas a menos de 3 metros da periferia abertas 18 horas por dia.
2) A total impossibilidade da existência de esplanada não invalida a existência deste equipamento desde que a utilização não tenha limite de idade.
Pensamos que bastam estes dois pontos para resolver o problema. Acaba o stress dos paizinhos que entretanto podem beber cafés e/ou gins tónicos e fumar. Acaba a poluição sonora, em especial aquele “Cuiiidado!” em contínuo. As crianças podem experimentar a normalidade. Os pais têm que encontrar outra maneira (porventura legítima) para expiarem os seus pecados educacionais (vide Daniel Sampaio e os “pequenos ditadores”). Na segunda opção, ainda há o benefício de poderem brincar em conjunto com as crias e terem a maravilhosa sensação do que é esfolar um joelho (que entretanto se esqueceram, deduzo eu, já que não deixam as crias experimentar). O futuro será melhor assim. Evitava mais uma geração de académicos imperialistas (os miúdos das universidades vestidos de preto aos gritos em todo o lado que fazem concursos de ingestão de cerveja), ou dos ondas laranjas, ou dos dreads-betos, ou isso.
(N.A. Para não ser mal compreendida, informo que nada tenho contra as gerações posteriores à minha. Pelo contrário, parece-me que a minha foi a mais róscofe dos últimos 70 anos).

Sem comentários: