
Tenho pensado que ando farta, mas mesmo fartinha deste Portugal. Não é nada pessoal, apenas aquela necessidade de sair de casa para ir passar uns dias fora. Ao estrangeiro. Temos paisagens giras, sítios magníficos (olha aqui em baixo), e ainda os Açores e quê. Mas o que me apetece mesmo é sair daqui. E a coisa já está tão grave, estou tão subnutrida de viagens que agora só me contentava com um tratamento de choque cultural. Mas razoável, não ia para a Antártida. Ia por exemplo, fazer uma viagem de comboio, passar uns dias à Toscânia, e verde e grappa e palacetes e pastas italianas. E isso. E depois ia para a Ásia, por exemplo, Tóquio mais Japão rural, Sidney mais Austrália rural, qualquer coisa assim já satisfazia o sonho deste Verão.
Só que estamos em crise. Temos estado. Há imenso tempo. E é uma pena que esta situação nos impeça de viajar um pouco mais além. Não digo os destinos dos sonhos, apenas sair de "casa" quando desse a gana da vontade. De carro, de comboio, de avião, de carroça, enfim, que fosse económico e acessível a todos esse bem que é poder sair da nossa casa, arejar, ouvir falar outra língua, comer as "porcarias" gastronómicas dos outros, fazer de turista, visitar amigos que vivem longe, dar um mergulho no azul turquesa.
Os destinos marca branca, para a maioria, tornaram-se o melhor sonho.
Somos bombardeados diariamente com soluções low cost, vá para fora cá dentro, já sabemos, mas agora dizem durma em casa, vá fazer campismo que é bem bom e passou a ser mais cool que nunca, esteja atento que a promoção tá quase a sair, ou então não vá. Vão-me desculpar, sei existem pessoas desempregadas, gente com fome, enfim, um sem número de consequências desta e doutras crises, cuja última preocupação é ir viajar. Mas esta é outra questão. É uma imensa limitação cultural não termos oportunidade de giro, agarrarmo-nos ao consolo parvónio de que um dia, quando nos reformarmos, quem sabe, iremos finalmente fazer o Circuito das Cidades Imperiais.
2 comentários:
Nem imaginas como te compreendo. É uma vontade que cresce, cresce, cresce cada vez mais, e me faz sentir com que dependente de paisagens e culturas diferentes. Mas lá está a crise anda a rondar e por isso a opção será mesmo por uma cidade low cost, onde a cultura nos assalte a cada esquina e, se correr mesmo bem (mas duvido) o português não será ouvido a não ser nas nossas bocas.
comparativamente, e à proporção, os nossos pais tiveram muito mais oportunidades de viajar, e mesmo assim podem agora dedicar-se aos cruzeiros e circuitos imperiais. Para a nossa geração, e mais novos, a coisa é muito limitada, infelizmente.
falando na generalidade, tá claro!
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