17.6.09

Ainda os casamentos

A propósito do desabafo aqui em baixo, apetece-me escrever. Sempre gostei deste tema dos casamentos. Sempre achei uma coisa um bocado estranha este contrato mas, ao mesmo tempo, sempre gostei da festa anexa (eu até gosto de ir ao casamento dos primos desconhecidos). Sim. Eu sou do género casar só para fazer a festa e na igreja porque é um sítio bonito. Podem disparar as acusações (todas menos hipócrita (eu assumo)).
Mas isto de casar, refiro-me ao papel, é um absurdo (para mim obviamente). Por isso suportei a falta da festa e do serviço vista alegre e da máquina do café. Assunto resolvido, lá comprei a máquina do café com desconto e a prataria ikea (que sempre dá para partir de ânimo leve) e vivo feliz. Mas entretanto apareceu por aí a figura do unido de facto que serve para juntar algumas regalias a casais que vivem em comunhão mas não querem casar. Parece-me bem. (Parecia-me melhor que toda a gente que partilha casas e compras e vida também pudesse receber o mesmo benefício, mas já não é mau). Mas entretanto essa história da união de facto começou para aí a crescer e a meter-se onde não é chamada. É que a última proposta do PS para este regime é uma aproximação (demasiada?) ao casamento que em teoria me parece bem, se pensarmos na família tradicional. Sendo discutível a nova proposta (se já existe o casamento não precisamos de outra figura igual), há um ponto que me angustia: passados dois anos de vida em comum, um casal é considerado automaticamente em união de facto. O quê? Era só o que faltava! Eu cá vivo na mesma casa com o pai da minha filha há mais de dez anos e não sou nem casada nem unida de facto. Sou solteirinha. Porque assim quis e quero e parece-me que sou livre (ainda) de fazer essa escolha. E não quero que o estadozinho do senhor zé tenha nada a ver com a minha vida privada que em nada lhe diz respeito. Esteja descansado o senhor zé, que se eu quiser pensão de alimentos por viuvez, eu trato do assunto e caso. (Mas o que é que deu neste homem para este ataque de “paternalidade”?, ouçam o que eu digo: o homem ainda vai mandar o ps às urtigas).
Agora os casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Obviamente que concordo, aliás, nem percebo os argumentos do “contra”. Se alguém ler com muita atenção um contrato de casamento, duvido que vá achar seja o que for inconsistente com a celebração desse contrato entre qualquer tipo de pessoas, sejam do mesmo sexo, sejam de diferentes, sejam amarelos ou verdes. Parece-me que por vezes se esquece que o casamento é um contrato. Mais, eu até sou a favor da adopção e dessas coisas todas que ainda soam um bocadinho mal a uma parte da população mesmo a ala liberal (posso explicar a posição noutra altura).
As petições que se falam, cheias de nomes de pessoas inteligentes, com profissões criativas, (…), o que posso dizer? É como as marchas “orgulho gay” (qual orgulho? Orgulho de ser uma pessoa?). Enfim, o mesmo ram ram de sempre. Não dá vontade de assinar. Para já não falar na desgraça que é não ter um amigo homossexual. Quer dizer que não se tem profissões criativas e consequentemente não se é inteligente. (eu cá tenho muitos, sou chique).
Mas porque é que não se faz uma petição assim:
Eu quero que não se legisle, não se proíba e se despenalize e se “desproiba” tudo o que não interferir na vida privada ou pública de outrem.
Acho que se resolvia muita coisa.

3 comentários:

Van disse...

Ah sua solteirinha d'Oiro, isso é que é discurso!

nini disse...

tu não és só solteirinha, és soltinha também!!!!! ah ah!
mas olha, é melhor assinar não vá um dia tu mudares de opinião em relação ao casamento e ao sexo da pessoa com quem casas! isso era lindo!!!!
diz lá, é tão disruptivo que até te ficava bem :-)
mas olha concordo com a parte que dizes 'desproibir tudo o que interfere na vida privada' (publica já é outra historia... enfim, devem probibir de levar rotweilers a fazer coco à solta na praia cheia de gente, como eu já vi a acontecer...hum..achei isso tao ofensivo, mas tao ofensivo, que so me lembrava da lei para poder dizer alguma coisa, porque nem a ética, juizo ou bom senso servirião para o sr em questao)

alii disse...

Ah! Achavas disruptivo? Não é nada que não pudesse acontecer (suponho, se bem me conheço). Só o poderei dizer com certeza quando estiver nessa situação, mas, obviamente, à partida, não negue uma ciência que desconhece.
Quanto à questão do "desproibir"... percebeste mal então. Quando digo pública é exactamente para proteger esses casos que descreves. Que na realidade são casos de civismo e não criminais ou legisláveis ou o que seja. Aliás, essa é uma coisa que me chateia. A gradual decadência na opinião pública do valor "civismo" e a "tolerância" com a falta dele. Eu por mim multava com a mesma vontade o senhor que não apanha o cócó do labrador urbano como o fumador em local proibido (tenho que puxar a brasa...)