13.4.09

Notícia do dia 13 ABRIL 2009

Evidentemente que a notícia mais importante do dia é o cão.
Não é um cão qualquer. É um portie (nome carinhoso americano para portuguese water dog). Chama-se Bo e vive na casa branca (onde o jardim é grande e, portanto, óptimo para a vida de um cão que gosta de correr). As donas, ilustres, são Sasha e Malia. Isto é a introdução, não a notícia. A notícia trato mais abaixo.
N’ O Público vem um belíssimo texto sobre o assunto cujo autor é Manuel Roig-Franzia. Aconselha-se a leitura integral. Destaco a frase: “O jornal que descobriu o caso Watergate ficou contente com a história do cachorro.” (referência ao The New York Times, por ter ganho o exclusivo do cão, mesmo com a pressão do Washigton Post).
Bom, mas vamos à notícia. A notícia de interesse, mais uma vez, é a colateral. Desta vez não está nas caixinhas (costumo dizer que o que interessa está nas caixinhas for a do texto principal). Está no texto principal, no meio da palha, mas encontra-se. E a grande verdade é: os marketeers enganaram-se pela primeira vez e não foi só um erro, foram vários. Passo a descriminar:

Primeiro erro: o pai obama tinha dito que ia adoptar um cão de rua e/ou encanilado mas depois mudou de ideias e empedigrou. O erro foi minimizado com o facto de o canito ter marca portuguesa (imagino que para um americano um cão português ser a mesma coisa que um rafeiro). Mas depois vieram dizer que o senhor Obama vai doar não ser quantos dólares a uma instituição daquelas dos animais abandonados ou assim porque não cumpriu o prometido. Soa mal. Desculpas a mais. A cena do português já chegava, agora tanta desculpa… E depois esta cena do dar dinheiro para se desculpar lembra um bocadinho aquela história dos mui católicos que davam chorudas quantias à igreja e ficavam libertos da obrigação dos jejuns na páscoa... Definitivamente não é o estilo pretendido.

Segundo erro: o cão que muito se especulou estar para nascer em portugal afinal nasceu no texas na família de um criador local e esteve a viver na casa kennedy (família apreciadora da marca) antes de ir para a casa branca. Ora isto não é nada bom. Está bem que a família kennedy foi uma grande apoiante da candidatura mas uma coisa é apoiar outra é dar abrigo ao cão e influenciar na escolha. Isto já é muito íntimo. E não nos podemos esquecer que esta família é o equivalente das famílias reais europeias para os americanos. Intimidade neste grau com a monarquia não é definitivamente o estilo pretendido.

Terceiro erro: o cão é adulto e treinadíssimo (levanta-se e deita-se no momento em que os donos se levantam e sentam respectivamente; não faz xixis nem cócós em lugares que não sejam apropriados, não estraga móveis, segue o obama…). Ora este é que é mesmo grave. Então mandam às miúdas um cão adulto? Estão loucos ou ninguém se lembra o que é ser uma criança? Qualquer pessoa que tenha tido um cão (muito mais se a experiência for na infância) sabe como é bom que este integre a família desde bebé… E treinado? Então as criancinhas não vão poder esconder dos pais os disparates do cão porque ele simplesmente não faz disparates? Não vão poder ficar contentes quando conseguirem que o cão faça uma habilidade quando lhe pedem porque simplesmente ele já está treinado para essas coisas todas? Basicamente os papás deram às meninas um robot com tecnologia biónica, nada mais. Isto é mesmo triste e não combina definitivamente com o estilo pretendido.

Eu sabia que ia descobrir um erro dos marketeers mas nunca pensei que fosse tão grave. Garanto-vos que se o senhor obama cair em desgraça vai ser por causa deste cão.

Nota à parte: devem estranhar o facto de me dedicar tanto ao tema obama mas de facto nunca vi um trabalho de marketing tão bom, brilhante mesmo e inédito. Já há algum tempo que tenho seguido este caso por isso (porque gosto muito deste tema, da imagem e da sua manipulação) tornou-se quase um jogo descobrir erros. E desde que sigo o caso, pelo menos desde meio da campanha eleitoral, até hoje, não só nunca tinha encontrado nenhum erro como vi sempre todas as questões tratadas brilhantemente.

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