
“Saímos de um bar, íamos na rua numa conversa interessante, eu impressionava, quando nesse preciso momento caí estatelada no chão. Fiquei envergonhadíssima. Ele disse-me, não te preocupes, caíste com moral”
A pergunta que se impõe é: mas afinal, como é cair com Moral?
Nós olhámos umas para as outras sem resposta pronta. Combinámos meditar filosoficamente sobre a coisa e no outro dia, hoje, publicar um texto a propósito - que é o que eu estou a fazer.
Analisando o meu histórico de quedas, reparo que, de facto, todas elas foram extraordinariamente espectaculares, mas profundamente rídiculas. Não vejo grande moral na coisa. De qualquer forma, não tenho bem aclarado esse conceito de Moral. (se fosse imoral até sabia: por exemplo, imaginem o Papa Bento num avião da Alitalia, a caminho de um país carregadinho de SIDA, atirar para os jornalistas que a doença não se controla- até agrava, com o uso de preservativos, mas sim com reza e contenção pélvica! ai que oportuno este Bento, e engraçado, a contar as suas piadolas imorais e sádicas). Bom, ontem à noite ainda dei umas voltas na cama (quase caí) a meditar nisto da moral, mas foi por pouco tempo e só cheguei a conclusões muito fracas. Que a moral, afinal, é uma tareca. Um indelével acidente de percurso. Uma comparsa com quem jogamos ao 'Lá vai alho', uma bola de pêlo que nos baba enquanto rebolamos por um prado verde, um mortal empranchado mal executado. No fundo, a imagem épica das nossas membranas em queda livre, o movimento câmara lenta do nosso ridículo.
Dizer a uma mulher, foste ao chão, espalhaste-te ao comprido, deste um tralho do catano, mas foi com moral, é um piropo enigmático. Um tipo de "Estiveste bem, miúda", mas sem revelar o que impressionou na aparatosa prestação.
Quero acreditar que é isto.
1 comentário:
eh eh eh eh. Gostei da dissertação. Esse rapaz é um senhor é o que posso dizer. Que encanto :)
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