10.2.09

Perfume


Gosto de usar sempre o mesmo perfume, sou conservadora, fiel ao mesmo aroma durante anos a fio. Gosto de ter sempre presente o mesmo cheiro, vagamente doce. Gosto que seja o mesmo, na minha pele, no meu cabelo, no meu roupeiro, no meu carro. A minha identidade melosa.

Lembro-me de ter usado uns três perfumes diferentes nos últimos quinze anos: o magnânimo Jean Paul Gaultier, expressão maior da minha existência perfumada, mais tarde um Gucci Rush e agora, contrariamente à tendência, passei para aromas leves e florais, mais blasée, por último o White Linen. Pelo meio experimentei outras fragrâncias, claro, tudo coisa oferecida, sol de pouca dura, já que eu não arrisco nisto. Também tenho sorte, é um facto, tenho boa pele, consigo transformar aromas normalmente enjoativos, imaginário de senhoras ornamentadas, em bálsamos agradáveis. Isto tem o seu efeito bom, a gente conhece-me pelo cheiro. Nos reencontros perguntam-me com frequência pelo meu apanágio “ainda usas aquele perfume?”. Uso.

Trocar de perfume é como hoje, farejar e não me reconhecer. Manter os gestos contidos para não exalar a nova identidade. Dois ou três dias em que mentalmente repito e insisto, “Chega-te para lá”.

2 comentários:

M. disse...

Concordo em absoluto.
Eu, depois do Jean Paul Gaultier que usei durante tantos anos que até já enjoava, passei para o 212 da Carolina Herrera que uso talvez há uns 6 anos e não me consigo convencer a mudar. E depois se no escuro não me encontro?!

Van disse...

:))))))) (cão-guia)