Estar em casa com um filho doente estafa. Principalmente quando a causa da maleita é apresentada como vaga, mais etérea que a normal virose, que essa já dou de barato. Facilmente se perde a razão e reina o descontrolo. Os períodos de olhos brilhantes e mimo alternam com os de vigor antipirético, ilusão boa – afinal não se passa nada, a criança prostrada recupera energicamente a vontade, disposta a uma luta de espadas ou uma grande batalha entre bonecos feiosos. Mas, à medida que o tal efeito se dilui, suaviza vontade triunfal, o corpo volta a pedir colo e assim sucessivamente, de quatro em quatro horas, sempre assim. Por alguns dias.
Esta alternância de estado não é pêra doce para os pais, que têm de ser mais pacientes que o habitual e, além disso, apresentar soluções lúdicas mais criativas (coisa difícil em estado estafado).
Ontem, já em desespero com os interlúdios espadachins propus ao meu filho fazermos uma coisa diferente e emocionante, um boneco de pano. E oferecê-lo à Alice no país das Maravilhas. Ele achou muito engraçado. Depois de um segundo brainstorm optámos por costurar um gato e dividimos tarefas. Ele assumiu a responsabilidade da tesoura, e desta forma passou a tarde a cortar linhas pretas para futuros bigodes do bicho. E eu encarreguei-me do resto, com enorme boa vontade mas desajeitada com a costura de minúcia. Socorri-me de um tecido mostarda, que em tempos foi um roupão sexy (e que mudou de personalidade após uma ida à máquina-de-lavar menos feliz; oferecido pela minha tia quando veio de uma viagem da Tailândia), comecei a tratar da minha parte.
- Estás a gostar do nosso gato? Perguntei eu
- Está muito lindo, mas parece um Monstro … (um Monstro?????)
Bem observado.
Pensava, enquanto mirava as orelhas do gato da Tasmânia, que pareciam recortadas de um molde de raça canina potencialmente perigosa.
5 comentários:
Estou solidária contigo. Bem recentemente vi-me forçada aos tais solitários brainstorming para ver se conseguia entreter a minha filha mais velha, "presa" em casa por causa duma otite, ainda bem no inicio. O que me (nos) valeu para além dos muitos puzzles, jogos, bolos e massa Fimo, foi ela poder sair de casa e descontrair (pelo menos durante 30 hora) no parque infantil em frente de casa.
Beijos e boa imaginação.
PS - Curiosamente mesmo prostrados continuam sempre com aquele espírito aguçadinho que os faz olhar para o nosso (imaginário) gato e verem (que realmente são) monstros!!!
Olá M.!
É isso mesmo, os queridos diabinhos têm esse espírito aguçadinho, mordaz, delicioso e impressionante!
Continuas optimista? Sempre bebemos o tal copo para a semana?
(agora, menos estafada, a ver se pego na nossa saga psico-francesa)
:))
fica bem, beijocas
No próximo sábado não dá, mas se for domingo, tou nessa vanessa! (eu bem sabia que um dia, sim, um dia esta expressão teria algum significado real eheheh)
Beijinhos
Sua malandra! o que eu sofri com isso....
mas dito assim, dessa forma existencial, tudo muda :)))
Olha, falava deste sábado no lux:
I'm gonna sing this song with all of my friends
and we're I'm from Barcelona
Love is a feeling that we don't understand
but we're gonna give it to ya
We'll aim for the stars
We'll aim for your heart when the night comes
And we'll bring you love
You'll be one of us when the night comes
la la la la la la lálálálá la la la ...
ahhh... bem me pareceu que o copo era uma expressão abusadora para um café ... mesmo para uma aficionada como eu.
Sim, sim ... lá estaremos e o copo continua prometidissimo.
Beijinhos
Enviar um comentário