9.2.09

é agora






(consegui!)
É tão bom parar... ahhh... ufa que alívio...

Neste momento em que ouço Wild Horses dos Rolling Stones, páro e deixo-me levar pela leveza de contemplar os meus momentos, o que for que salta para a frente da minha cara, o meu espaço, reviro os olhos, encosto-me e acendo um cigarro... observo a olhar para o ar e ver detalhes do tecto, as cores oscilantes da minha aura... hummmmm...sinto azul, a misturar-se com o verde, a fazer ondas cor de laranja (não, não fumei nada agora) e a chegar ao encarnado, cor de rosa, sinto a energia a mudar de ritmo e textura, alimenta-me, recarrego um bocado a bateria...

....que bom parar e deixar o segundo, o minuto, o ar que estou a respirar tomar conta de mim e não o contrário..Maravilhoso... acho que gostava de ter vivido a minha década dos trinta na versão wild dos anos 70, que vida tão boa a de nos levarmos pelo que nos corre no sangue, tal e qual... pelas hormonas, por aquilo que ingerimos, por aquilo que nos aumenta a tensão que faz o coração bater, o cérebro carburar, a transparência e espontâneadade...

eu queria ter sido o mick jagger a cantar, wild, wild horses... won't drive me away............e isto assim foi em 1976.

Em 2009 ouvimos este som que acho maravilhoso e temos a sorte de com ele lembrar o que nos apetece e em cima disso, lembrar o espírito que se vive através dele e que passa de gerações em gerações de maneiras e formas diferentes, levando-nos inevitavelmente a querer o mesmo, a querer profundeza, consistência, força nos pensamentos. A minha mãe diz que a nossa geração, a geração que nasceu em 70 e não que viveu em 70, ficou com o gene mas não com a história, não com a 'problemática' para resolver... que já não temos barreiras para quebrar, ideais para provar ou eco para espalhar e eu sei o que ela quer dizer e até concordo.

Gritamos para quê, para quem ouvir, para dizer o quê? No entanto o mesmo espírito mantem-se, e ela diz-me "eu pensava igual ao John Lennon (pois pois..), porque ele dizia «Don't ask why. Ask, why not?.» e é só isso!" (pronto, o «só» tenho de dar o desconto devido à referência da geração e do background em si..hj há um bocado mais que se lhe diga ao «só»).

Cada vez que me obrigar a perguntar "Why not ?" é porque vou partir para a acção, vou tentar dar mais acção à questão, por isso grito para mim, para me acordar desta hibernação.

Aliás sei que há muitos ursos e ursinhas como eu que estão lentamente a acordar, era inevitável, é cíclico.

E não, não é porque somos amorfos nem mais fracos do que gerações passadas que se gabam de ter feito acontecer de alguma forma, mais do que a nossa só porque foi sobre uma conquista de valores. Acho que somos até mais observadores, mais atentos, menos controlados, mais prespicazes e sobretudo fortes, com mais poder obviamente.

Sim, eu vou gritar. Vou gritar para mim (não se preocupem), vou gritar e dizer que vou tirar tudo o que posso da vida. hã, hã.. pois, mas é fácil quando se luta porque se quer democratizar o amor ou ganhar a liberdade de expressão, enquanto se fuma um charro e se cria música num ambiente novo, totalmente burbulhante.... mmmmmmm...

Mas eu grito sim. Grito porque não quero mais viver com o peso com que somos pressionados a carregar nos ombros, de viver a vida que os outros querem que vivemos (os outros que nunca ninguem sabe muito bem quem são, este fenómeno é mto engraçado tb...), não é por não existir um ou dois grandes ideais comuns e urgentemente 'vitalizados' , que vou assim, dia após dia, mimicar o vizinho e aceitar viver sucumbida às obrigações necessárias para manter uma vida cansada e prevísivel.

Então vou parar.

Vou parar para pensar um bocadinho sobre o que valorizo, sobre que recursos tenho (valores, atitudes, capacidades, gostos), vou parar para depois disso iniciar uma saga que me vai fazer viver este espírito ao vivo e a cores, este espírito que custumo sentir, sonhar e reviver quando ouço wild horses....

Já paraste? :-)

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