"Gente normal, mantendo com a realidade uma relação normal, sem doenças psicológicas notórias, já se vê muito pouca. É quase uma raridade. O aumento em espiral do consumo de estimulantes ou antidepressivos, o aumento do consumo de drogas leves e duras - que em certos meios já estão banalizadas - são outros tantos sinais de uma grave doença civilizacional. As pessoas pensam que dominam a tecnologia, que a tecnologia as torna mais felizes, mas na verdade não a controlam e são cada vez mais infelizes. É impossível dizer onde esta loucura nos conduzirá. Quando se pensa que já está tudo inventado aparece mais uma novidade, uma engenhoca, um telemóvel que junta e-mail, GPS, agenda electrónica, televisão ... E todos os dias isto se repete. A pergunta que faço é muito simples: será possível manter por muito mais tempo esta aceleração estonteante?
Interrompo a crónica neste ponto para fazer uma confidência ao leitor: tudo o que leu até aqui foi escrito há um ano, antes da eclosão da grande crise em que estamos imersos. É vulgar isto acontecer: escrevo com frequência textos intemporais que meto no congelador à espera de um momento apropriado para os publicar"
José António Saraiva.
in revista tabu, suplemento do semanário Sol
(nova rúbrica de apoio ao blog)
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